O Brasil descobriu Portugal

Parece que, cada vez mais, brasileiros descobrem as belezas de Portugal e toda a qualidade de seus vinhos. A quantidade de turistas brasileiros em Portugal e os números de importação de vinhos portugueses só aumentam.

Para te dar uma noção, o Brasil:

  • foi o 5° maior mercado externo em hóspedes para Portugal e 6° maior em receitas turísticas, em 2019 (não usamos os números de 2020, porque as fronteiras portuguesas ficaram fechadas por um longo período em razão da pandemia); e
  • ficou em 3° lugar dentre todos os países importadores de vinhos portugueses, sendo que, se desconsiderarmos os países da União Europeia, o Brasil sobe para a 2° colocação, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Os números não mentem e eles estão altos! 

Neste artigo, vamos surfar nessa onda. 

Você vai descobrir as principais uvas portuguesas e dois vinhos que vão fazer você viajar até Portugal logo no primeiro gole.

As principais uva portuguesas

Portugal tem uma diversidade muito grande de uvas lá originadas. Essa é uma das razões pelas quais os vinhos portugueses são bem diferentes daqueles produzidos no resto do mundo.

Algumas das principais castas tintas portuguesas são: Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinta Amarela. 

Cada uma dessas uvas tem sua personalidade e adiciona seu próprio toque ao vinho. Elas funcionam muito bem juntas, quase como se fossem ingredientes na mão do produtor. São combinadas entre elas (e/ou com outras uvas) em uma infinidade de maneiras, criando vinhos complexos e autênticos. Confere só:

Touriga Nacional – É a casta ícone de Portugal. Confere aos vinhos uma ótima estrutura (acidez alta e taninos elevados) e aromas de frutas negras, violetas e ervas como alecrim, tomilho, etc.

Touriga Franca – Sua maior contribuição para os vinhos são seus aromas de frutas vermelhas frescas ou maduras, mas ela também agrega aromas de frutas negras e aromas florais de rosas. 

Tinta Roriz – Esta uva é mais conhecida pelo seu nome espanhol, Tempranillo. Além de seus aromas de frutas vermelhas e negras, ela confere aos vinhos mais corpo, pois tende a produzir vinhos com alto teor alcóolico.  

Tinta Barroca – Confere aos vinhos aromas mais rústicos e terrosos. É uma uva secundária e normalmente utilizada em blends. 

Tinta Amarela – A principal contribuição aromática desta uva aos vinhos portugueses é seu perfil aromático apimentado e herbáceo. 

Ficou curioso para ver isso na prática?  

Um gostinho de Portugal…

Selecionamos dois vinhos portugueses – disponíveis na Winerie.com – que representam muito bem a autenticidade lusitana em seus vinhos.

O primeiro deles é para quer provar Portugal em toda sua intensidade: o Quinta da Maritávora n.6 Colheita 2018. 

O vinho é um blend de 30% Touriga Nacional, 30% Touriga Franca, 30% Tinta Roriz e 10% de vinhas velhas de 15 a 50 anos. O vinho passa 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Esse corte com quantidades iguais de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz permite uma brincadeira muito divertida: tentar identificar as características de cada uma delas no vinho. 

Os aromas e sabores predominantes neste vinho são de frutas negras (cassis, ameixas negras, amoras). As três castas principais do corte são responsáveis por esses aromas. Ao lado dessas frutas negras e em menor intensidade, encontramos também aromas de frutas vermelhas (ameixa vermelha madura, cerejas), que provavelmente vêm da Touriga Franca e da Tinta Roriz.

Além das frutas, também estão os aromas florais e herbáceos típicos da Touriga Nacional (violetas e ervas secas), bem como os aromas que vêm das barricas de carvalho (baunilha, alcaçuz, cravos, tostado, café, etc.). 

Esses aromas das barricas estão bem intensos e brigam com a fruta pelo protagonismo na taça, mas aqueles que gostam de um vinho complexo vão curtir esse embate na boca. Especialmente, porque o vinho é “carnudo”, ele tem alto teor alcóolico (em parte, devido à Tinta Roriz) e uma ótima concentração de fruta. Funciona bem com comida, mas a sugestão é degustá-lo sem acompanhamentos, pelo menos a primeira taça. 

O segundo vinho é para quem quer conhecer um lado de Portugal mais rústico (sem perder a elegância): o Quinta da Sequeira 2017. 

Ele é produzido com 40% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz, 15% Touriga Franca, 15% Tinta Barroca, 10% Tinta Amarela. O vinho passa 12 meses em barricas de carvalho usadas.

Os aromas e sabores predominantes neste vinho também são de frutas negras. As frutas vermelhas da Touriga Franca e da Tinta Roriz estão bem maduras e lembram geleia de cereja. 

A Tinta Barroca mostra aqui também sua nota de terra molhada e a Tinta Amarela deixa a nota apimentada que é sua marca registrada. Essas notas terrosas e apimentadas, quando combinadas com os aromas de café, tabaco, cedro e chocolate que vem das barricas, deixam o vinho com uma pegada mais rústica. Os mais sensíveis podem sentir um pouco de amargor no final, então, a sugestão é tomá-lo acompanhado de uma bela carne.

Aliás, esses dois vinhos vão muito bem com típicos pratos portugueses, em especial, o cordeiro e o ensopado de javali. Se você for ousado, é possível harmonizá-los com bacalhau também, desde que a receita escolhida seja “pesada”, por exemplo, o clássico arroz de bacalhau que leva chorizo, molho de tomate e cebolas.  

Espero que gostem e até a próxima!

Deia Berthault

Sou uma nerd em vinhos com um parafuso a menos. Professora, estudante e apoiadora do movimento “Abaixo os enochatos” (…que nem existe, mas apoio! #enolegaisrock). 

Fundadora do @redsubmarinewines e parceira da @wineriecom.

Parceria: Winerie

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